“o belo está na coisa ou no sujeito que o contempla?”


Bom dia a todos, hoje postarei um texto do Joel Leite…

 

A sociedade costuma eleger as pessoas e as coisas mais belas, numa promoção que empolga os homens e os designers. Imagine que nesta semana a Good Design Awards – que prestigia os melhores projetos de design gráfico e de produto nos Estados Unidos – deu a uma lavadora de alta pressão da Electrolux, a Facile (desenvolvida no Brasil), o prêmio de melhor design em eletrodomésticos.

No setor de automóvel os prêmios são comuns. Recentemente o Citroën DS4 foi eleito o “O Mais Belo Carro do Ano” no 26º Festival Automobilístico Internacional de Paris. Olhe as fotos, veja se você concorda. Se você concordar, é sinal de que compartilha da visão hegemônica de beleza. Afinal, não dá pra contestar um júri popular, como o que elegeu o carro pela internet. Mas se você não concordar, não se sinta sozinho. A beleza é um dos temas mais discutidos na filosofia, desde a Antiguidade. E, como todo pensamento filosófico, é inconclusivo. O prêmio ganho pela Citroën é merecido. O carro é mesmo bonito. O conceito de beleza é que é discutível. O que é belo para um pode não ser para o outro. Portanto, o correto seria dizer: “Eu acho o carro bonito”.A Kia batizou o Soul de “Carro Design”, que recebeu informalmente outro apelido menos presunçoso, mas carinhoso: “Carro do Pateta”. O carro tem um desenho forte, ousado, linhas quadradas, portanto arriscado em relação à massa dos consumidores.

O desenhista Claude Lobo, responsável pela criação do Ford Ka – ousado na época – revelou que a primeira informação que ele precisa para iniciar o desenho de um produto é saber quantas unidades o fabricante pretende vender. Se for um carro de massa, não pode fugir da linha tradicional. Ousadia não combina com o pensamento hegemônico, atende uma elite.Há alguns anos eu testava um Jaguar X-Type. Fui com minhas filhas, então com sete ou oito anos de idade, buscar no estacionamento “um carro muito bonito que o papai vai testar”. Ao lado do imponente Jaguar estava uma Kombi. Adivinhe o que aconteceu? Elas foram alegres em direção à Kombi e se decepcionaram quando tiveram que passear de Jaguar. Confirmaram a eterna dúvida sobre beleza, discutida já pelos filósofos na Antiguidade: “o belo está na coisa ou no sujeito que o contempla?”. O bom gosto é apurado com o tempo (hoje as meninas riem da história da Kombi), mas a influência da publicidade é determinante. Assim como consegue transformar mentiras em verdades, a mídia e seus “formadores de opinião” podem transformar o feio em bonito e o brega em chique.

“o belo está na coisa ou no sujeito que o contempla?”

Pela Antropologia, a ciência entende a cultura como o totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Edward Burnett Tylor, sob a etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria “o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo.

Alguns aspectos culturais que influenciam na opinião do individuo são, os fatores climáticos, o aspecto legal, o ambiente cultural, as percepções, a língua, os gostos, os valores éticos e religiosos, o etnocentrismo, os símbolos e as variadas formas de comunicação.

Obrigado

Henrique Praxedes

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