O design do futuro


Buenos dias,

A criação e a produção de artefatos de design estão em xeque-mate. Se antes se acreditava que a fabricação de produtos verdes seria suficiente para garantir uma economia mais leve, alguns especialistas afirmam que agora será necessária uma profunda mudança no sistema sócio-econômico mundial

Por Gabriela Varanda – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentavel – 17/09/2007

Para promover uma ampla discussão sobre design sustentável, o Núcleo de Design e Sustentabilidade, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizou, em Curitiba, no início de setembro, o 1º Simpósio Internacional sobre Design Sustentável (International Symposium on Sustainable Design), que contou com a presença de palestrantes de países da Europa e América Latina, num vasto panorama sobre o tema.

Entre os representantes europeus, participaram nomes relevantes da área do design e do desenvolvimento sustentável, como o professor italiano Ezio Manzini, do Instituto Politécnico de Milão, o alemão Arnold Tukker, à frente do Score!, programa da União Européia para pesquisa em consumo e produção sustentáveis, e Casper Gray, do renomado Center for Sustainable Design (CfSD), centro de pesquisa associado a University College, do Reino Unido.

Na palestra inaugural, Ezio Manzini apresentou suas idéias inovadoras, apostando que apenas uma mudança radical pode conduzir a um cenário de verdadeira sustentabilidade. Para o designer, somente experiências colaborativas levariam a uma redução significativa do consumo e estaria aí o futuro do design (leia mais na entrevista exclusiva ao Planeta Sustentável).

Já Arnold Tukker, do Score!, fez um bom panorama das expectativas européias em relação ao replanejamento da produção e do consumo. Segundo o pesquisador alemão, na década de 1970, a questão ambiental era pensada somente em termos de descarte dos produtos, quando algumas medidas para remediar os impactos eram tomadas. Nos anos 1980, o próprio processo de fabricação foi repensado, com a incorporação de novas tecnologias, que deixaram a produção mais limpa. Mas foi na década de 1990 que o termo ecodesign surgiu, com o desenvolvimento de produtos que são fabricados de maneira a reduzir o consumo de matéria-prima e energia e o lixo produzido, do momento em que são produzidos até seu descarte.

No entanto, em pleno século XXI, as pesquisas apontam que os produtos verdes não serão suficientes para garantir um cenário econômico sustentável. “Os carros ficaram de 10 a 15% mais eficientes, mas nós dirigimos, hoje, três vezes mais do que em 1975”, explica Tukker. Para o alemão, os sistemas de produção e consumo devem ser repensados. Países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e China, têm a chance de evitar erros cometidos pelas economias já estabelecidas e saturadas dos países industrializados da Europa. Mas somente uma análise integrada de produção, mercado e consumo podem levar a resultados relevantes. “Devemos apostar numa produção limpa, aí entra o papel dos empresários e do ecodesign, o mercado deve apresentar produtos e serviços verdes, leis governamentais podem incentivar tal processo, e o consumidor deve exercer seu poder de escolha, pressionado o mercado nessa direção, além de poder contar com opções que reduzam o consumo individual”, concluiu Tukker.

Para Jenz Grosshans, diretor da Escola Internacional de Design, da cidade de Colônia, na Alemanha, o papel do design é fundamental na hora de conquistar consumidores. “O design precisa ser sexy”, afirma o alemão. Para o professor, muitas vezes os produtos verdes, principalmente em seu país de origem, são por demais sisudos e deveriam ganhar um apelo mais leve e atrativo. “Não uso o termo ecodesign, porque, no meu entender, qualquer atividade de design já pressupõe uma preocupação com o impacto ambiental que ela pode causar. Para mim, só existe design”, opina Grosshans.

Já o pesquisador inglês Casper Gray enfatizou a importância da remanufatura para a redução de matéria-prima na fabricação de novos produtos, citando uma geração de celulares que pode ser desmontada e suas peças aproveitadas em aparelhos novos. “No Reino Unido, a remanufatura representa uma indústria que movimenta 5 bilhões de libras e gera 50 mil empregos”, informa Gray.

Ao contrário de seus colegas europeus, o mexicano Manuel Alvarez Fuentes, diretor da empresa de design diCorp, acredita que o design sustentável está ligado a soluções que trazem felicidade e que melhoram nossa vida cotidiana. “Afinal, quando falamos de produtos sustentáveis não estamos nos referindo a produtos mais duráveis e com maior qualidade?”, perguntou à platéia. “Desenhamos para deixar os outros felizes”, opina Fuentes, que aproveitou, ainda, para mostrar alguns de seus projetos de habitações populares no México.

Coube a Christian Ullmann, designer argentino radicado no Brasil, apresentar a visão brasileira do tema. Ullmann acumula experiência em cooperativas de artesanato espalhadas pelo país, valorizando cultura e recursos naturais locais, com seu projeto Oficina Nômade. “Design sócio-ambiental é aquele que considera os aspectos econômicos, ambientais, sociais, culturais e éticos do produto, e do sistema em que ele está inserido, promovendo a melhoria da qualidade de vida”, conceitua. Por isso, o designer acredita na forte união entre artesanato e design, para promover mudanças sociais e econômicas, no contexto brasileiro.

Completando a programação do evento, a exposição organizada pelo Núcleo de Design & Sustentabilidade da UFPR mostrou, ainda, interessantes produtos desenvolvidos pela instituição, como uma linha de móveis que aproveita resíduos industriais de madeira pinus, em belos exemplares de mobiliário. Outra idéia bastante curiosa do núcleo são os Kits DIY (Do-It-Yourself), para habitação popular, que podem ser montados de acordo com necessidades particulares. E como não poderia faltar, o simpático plantio de árvores nos jardins do Centro Integrado dos Empresários e Trabalhadores do Paraná (CIETEP), local do simpósio, garantiu ainda a neutralização do CO2 produzido pela viagem dos palestrantes estrangeiros.

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/eventos/conteudo_251582.shtml

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