PLÁSTICOS – heróis ou vilões da eco-sustentabilidade?


Por Ignez Ferraz publicado em ADFórum

PLÁSTICO é a denominação de uma família de materiais sintéticos, facilmente moldáveis – amolecidos por calor ou solventes – podendo receber aditivos (estabilizantes, dando resistência a calor) e pigmentos (cores).

O regador “Vallö” desenhado pela neerlandesa Monika Mulder (azul) vende trinta mil unidades por semana. Ela faz parte do grupo sueco IKEA, fundado em 1943 por Ingvar Kamprad, quando tinha apenas 17 anos.

Há plásticos que têm como matéria-prima substâncias naturais, como a celulose (vegetais) ou a caseína (leite) e outros que provêm de uma resina sintética, criada pelo homem. E é aí que eles começam a se diferenciar entre `mocinhos e bandidos’ atuais, já que hoje só se fala em sustentabilidade e ecologia.

Classificam-se em duas categorias: os termoplásticos (heróis), que, por não sofrerem mutação na sua estrutura, podem ser reaproveitados em novas moldagens – como os derivados da celulose (pvc, polietileno, policarbonato, poliestireno); e os termofixos (vilões), que não podem, como os fenólicos, uréicos e a melamina (laminado tipo “formica”).

Dizem que nas novelas os vilões são sempre mais interessantes, mas como fui educada para ser uma `boa moça’ tratarei apenas da família dos `mocinhos'(“do bem”, termo moderninho) mais conhecidos:

Resina de poliéster – Pode ser translúcida, opaca ou colorida por pigmentos, não necessitando de formas caras, o que a viabiliza em pequena escala.

Acrílico – termoplástico pertence ao grupo das resinas metacrílicas (o mesmo que metacrilato). Mas atenção: como estes materiais podem ser arranhados, é bom que sejam utilizados apenas nas superfícies verticais.

Therese – Buro Vormkrijgers para Cultivate/ 2006

A irreverência está num momento muito popular do desenho industrial, mas ao contrário do POP dos anos 60, baseia-se, sobretudo, na reinterpretação de peças clássicas – Vintages e Retrôs.

Esta luminária projetada pela dupla holandesa (que se dissolveu após cinco anos de sucesso) renova o conceito ortodoxo do candelabro.

É composta por 16 folhas de PMMA (polimetilmetacrilato, vulgo plexiglas) iluminadas por um bulbo fluorescente central, que lhe proporciona uma luz quase surreal.

Corian – a combinação entre minerais naturais e acrílico de alta qualidade forma uma superfície resistente de fina espessura, que também pode ser translúcida. Mas atenção: apesar de ser material considerado `do futuro’ o corian ainda é bem mais caro do que outros `do passado’.

Banheira suspensa projetada com uma única folha de corian. Estas peças ultraleves, também conhecidas como móveis-folhas, são comumente executadas em alumínio (técnica da termoformatação), mas o corian tem a vantagem de possibilitar curvas softs.

Estes pendentes com desenhos internos proporcionam um visual surpreendente fantasmagórico. Como parte da luminosidade das lâmpadas é retida pelo corian, sua proposta é mais decorativa.

Poliestireno – Polímero duro e quebradiço, muito utilizado em copos.

Poliestireno Expandido – mais conhecido como isopor.

Polietileno e Polipropileno – possibilitam uma superfície maleável como luvas plásticas, cortinas para boxes, copos descartáveis, tapewears…

Esta pia simples moldada em poilipropileno também pode ser usada numa função híbrida como tanque.

PVC – termoplástico antes utilizado para tubos e condutores, hoje se aplica a quase tudo – dos pisos aos forros, passando por esquadrias e mobiliário. Mas atenção: por não ter muita resistência mecânica, o PVC deve possuir uma `alma metálica’ quando necessitar rigidez.

Vaso Nembus de Julia Dozsa para a Dríade em vinil ou PVC(policloreto de vinila) soprado que pode se moldar de diversas formas quando se coloca água dentro. As caixas, também sopradas em cores fluorescentes (ou, popularmente,”FLUO”), contêm uma estrutura metálica para armá-las.

Policarbonato – Termoplástico da família dos poliésteres muito conhecido por ser resistente como aço e transparente como vidro, substituindo-o em todas as aplicações – pode ser comercializado transparente ou opaco. Mas atenção: seu custo é muito superior ao do vidro.

Para finalizar, gostaria de homenagear Patrick Jouin, um dos grandes nomes do design mundial em ascensão, que já foi eleito o “designer do ano” no “Maison & Objet”. Trabalhou com Philippe Stark (ora, ora, quel surprise!), desenhou louça para o restaurante de Alain Ducasse em Londres, e hoje tem seu mobiliário produzido pela Cassina.
Escolhi o objeto que conjuga o que ele tanto preza – tecnologia e arte: a faca que desenhou para Nutella, com cabo de teka em lâmina de plástico. Sua frase é a síntese do pensamento contemporâneo:

“SIMPLIFICAR, MAS NÃO A PONTO DE NADA EXPRESSAR”. 

Obrigado

Henrique Praxedes

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2 comentários sobre “PLÁSTICOS – heróis ou vilões da eco-sustentabilidade?

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