Uma coisa é styling, outra é design… Karim Rashid


Entrevista com Karim Rashid, no qual os designers Anderson Zonato e Silvia Vieira, destacaram um ponto que pode gerar muitas discuções, veja o texto:

“Mas, se, por exemplo, eu decoro um restaurante com elementos provençais franceses, ou da Belle Époque, eu estou dando um estilo ao lugar, não estou fazendo design. Uma coisa é styling, outra é design. O que 99% da indústria da moda faz é styling. É voltar ao passado em busca de referências para criar um estilo. Se hoje eu fosse desenhar um casaco, por exemplo, eu pensaria primeiro em questões práticas, como este bolso [mostra o bolso do próprio blazer], que é inútil. Ele é largo e raso, não posso nem colocar o meu celular. Mas por que isso? Porque no passado ele tinha uma função, servia para colocar um lenço. Hoje nossas necessidades são outras. Design é aquilo que nos faz andar para frente, evoluir, e não aquilo que nos faz olhar para trás. É moldar o futuro. Design é resolver problemas. É claro, você não consegue viver sem estilo. Mesmo sendo um designer, eu me vejo preso a isso. Em alguns momentos, até exigem que eu seja um stylist, e não um designer. Mas meu papel não é esse.”

O que vocês acham sobre isso? Deem suas opiniões…

Vejam a entrevista na integra no link: http://casavogue.globo.com/design/karim-rashid-%E2%80%98design-nao-e-questao-de-estilo%E2%80%99/ 

 

Relógios Kaj, criados por Karim para a Alessi (2006), e as cadeiras Oh, para a Umbra (1999)

Komb House, exemplo de interior decorado por Karim Rashid (2010)

Garrafa Bobble, de plástico, com um filtro que permite o consumo de água da torneira em qualquer lugar

Sapato desenhado por Karim para a Melissa, e a lixeira Garbo, para a Umbra (2006)

Obrigado

Henrique Praxedes

Anúncios

10 comentários sobre “Uma coisa é styling, outra é design… Karim Rashid

  1. Eu sempre gostei de separar o design, de moda. Mas a moda é ser “designer”.
    Quem nunca viu um “Designer” de Sobrancelha, um Hair “Designer”, um Cake “Designer” e finalmente um Fashion “Designer”???
    Bom, vou começar explicando o sentido literal da palavra inglesa design: Projeto. Depois dessa tradução não é preciso dizer muita coisa. Num sentido mais amplo, o design cuida da interação do objeto, seja ele qual for, com o ser humano, prezando para que ela seja prática, natural, intuitiva, de fácil compreensão e que proporcione um conforto ou uma vantagem na execução de tarefas específicas.
    Tente encaixar esses conceitos num dos “Designs” citados anteriormente? Difícil, né?
    Design é design, moda é moda. Ambos têm grande valor no desenvolvimento econômico, mas cada um na sua.
    Porém, enquanto existirem cursos de Design de Moda, Design de Sobrancelhas, Design de Bolos, etc, essa confusão vai continuar e o termo “Design” será cada vez mais banalizado e a nossa profissão indo para o buraco.

    1. O termo design, está ligado diretamente a produção de produtos, de maneira seriada, no qual todos sejam iguais…

      No texto, o Rashid deixa claro que em sua visão, algo que é feito apenas uma vez não é design, como por exemplo a decoração de interiores, que não se aplica a mesma decoração em ambientes distintos…

      Muitos confundem tambem os termos design com artesanato, ou o fato de criar produtos de maneira artesanal… Quando um produto é criado de forma artesanal, no qual cada produto tem uma caracteristica propria, propositalmente ou não, este não é considerado design… enquanto uma produção manual, que tenha em seu processo de fabricação, o uso de ferramentas que possibilitam replicar sua forma de maneira uniforme, este sim é considerado Design.

      A banalização do termo design, é algo que possivelmente só será encerrado ou diminuido após a regulamentação da profissão, e a criação de conselho regional ou alguma associação que dite as regras do verdadeiro profissional de design… mas enquanto isso não acontece, teremos que conviver com os designer de qualquer coisa, ou até mesmo pessoas que não tem a menor noção do que é design, assinando como tal… infelizmente!

  2. Ao meu ver a moda aplica em suas criações as funções estéticas e simbólicas presentes no universo do design. Quanto a questões práticas quase sempre deixa a desejar. Não é a toa que vira e mexe vemos as pobres modelos se esborrachando no chão.
    Na moda existem muitos acessórios completamente inúteis em questões práticas, como salto alto, gravata, bolsos falsos, entre outros.
    Design só é design quando atende todas as necessidades do usuário de forma eficiente ao mesmo tempo em que propõe uma solução inovadora.
    Admiro a audácia do Karim Rashid em colocar esse assunto em pauta! Divido com ele a mesma opinião! O design está na moda, mas nem sempre a moda é design!

    1. Não generalizo quanto a questão da moda, principalmente que hoje, a moda é quem dita as regras a se seguir no desenvolvimento de produtos… Você faz uma marca utilizando inumeras cores e sobreposições apenas pelo fato de ser bonitinho? ou porque estas técnicas estão sendo inseridas no mercado a algum tempo?

      Hoje em dia as cores fluor estão em moda porque o RESTART faz sucesso, ou porque inumeros produtos estão aplicando este conceito no desenvolvimento de produtos e no desenvolvimento da imagem do individuo?

      A questão de um produto provocar um acidente em meio a um desfile não é parametro para dizer que MODA não é design… se algo é mal feito, é porque o projeto foi mal execultado… mas ainda sim é design…

      Não é considerado design a replica de um projeto, ou a inserção de novos detalhes a um produto que já existe… isto pode ser considerado redesign ou até mesmo styling… por isso o termo “O design está na moda, mas nem sempre a moda é design!” está corretamente aplicado ao contexto, mas como disse no começo deste comentário, não podemos generalizar!!!

  3. Concordo que nem sempre a moda utiliza dos recursos de design para resovler problemas, e que na maioria das vezes seus recursos são meramente decorativos.
    Mas há sim design de moda… basta olhar os materiais esportivos (roupas) que são desenhados também para atender as necessidades especificas de cada esporte ou atleta e não ser apenas bonitinhos visualmente!

  4. Henrique, primeiramente, parabéns pelo conteúdo do blog e a oportunidade de expressões diferentes nas áreas do design e do estilo. Dá vontade de reunir uma mesa redonda para botar a discussão em prática…
    Não sou designer nem estilista. Sou de marketing – ou seja, aquele que comunica os benefícios de produtos que designers criam. Com anos de mercado dentro e fora do Brasil, posso afirmar que o cliente que buscava atributos como técnica e razão vive rápida transformação. Na hora do consumo, uma característica inerente para a caracterização de DESIGN de sucesso, vence hoje o que melhor aliar FUNÇÃO com ESTILO. No contexto atual, design que não trasmite ESTILO, EMOÇÃO nem EXPERiÊNCIA está fadado ao esquecimento em alguma prateleira. Simples assim.
    Na visão de marketing, ESTILO (definida pela cor, forma, referência histórica etc) funciona para criar a narrativa emocional como resposta a necessidades de um consumidor interessado em GRATIFICAÇÃO e DIFERENCIAÇÃO como assinatura de ESTILO.

    Um abraço,
    Marcelo Novaes
    Redator do Life+Style

    1. Bom dia Marcelo, Obrigado pelos elogios e principalmente pelo comentário…

      Conheço bem o pensamento de pessoas de marketing, possuo uma certa aproximação, muito alem do trabalho…rs

      Concordo contigo quando diz que o design deve ter aliados função e estilo, causando emoção e uma experiência única… Tanto que está é a principal ideia de Design, não ser apenas estético, ou algo simplório no pensamento e construção… Infelizmente hoje em dia existe uma grande banalização sobre o que é design, tanto que uma certa vez em conversa com um representante de uma grande empresa de consutória americana, ao explicar sobre metódos do design thinking, fui abordado com a afirmação: “Achei que um designer na minha empresa faria as minhas apresentações de PPT e minhas planilhas Excel”…

      Voltando ao assunto, a assinatura de estilo é algo que toda empresa deveria ao menos buscar o seu, cito como exemplo o desenvolvimento da nova marca da empresa no qual trabalhei, onde criamos uma nova identidade visual (em parceria com a OZ em branding) e alinhamos a linha de produtos para exemplificar e sinalizar a mudança, criando e revelando a nova proposta de perfil da empresa… http://www.bdxpert.com/2011/04/25/penalty-investe-r-30-milhoes-no-reposicionamento-de-sua-marca/

      Um Abraço

      Henrique Praxedes

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s