Para o dia 31 de Outubro…


Com argumento artístico e a liberdade poética, talvez esta ideia nos faça pensar um pouco…

Sputniko! é uma artista filha de mãe Inglesa e pai Japonês, e que ficou conhecida, dentre outras coisas, pela frase “Eu prefiro ser uma Cyborg do que uma Deusa” no vídeo “Child Producing Machine”, uma resposta ‘na lata’ ao ministro Hakuo Yanagisawa de seu país, após a ocasião em que ele se referiria às mulheres como ‘máquinas de produzir bebês’. Desde então, ninguém mais a ignora.

Imagem 'Sputniko!' do projeto 'Menstruation Machine' © 2011   (Foto: Reprodução)

Sabe aquele tipo de artista que só pode existir no Japão? Então, Sputniko! é uma delas. Ela já deixou claro que Darwin tinha que parir ele próprio um filho antes de suscitar que a Biologia deveria ser a justiça seletiva da natureza via apenas a mulher. Seu material é, digamos, muito louco mas também interessante e esse parece ser um tema recorrente em suas experimentações.

Sputniko! seguiu primeiramente os passos do pai, professor de matemática, e bacharelou com honras na primeira classe de Matemática e Ciência da Computação em 2006 no Imperial College London. Em 2010, arrancou um mestrado em Interações em Design no Royal College of Art, também no Reino Unido. De lá para cá ela vem colecionando aparições premiadas em museus e festivais em Tókio, Singapura, Nova Iorque e YouTube afora.

Ácida e totalmente desprendida, a jovem japonesa tem arrematado por aí menções e estatuetas. Ela recebeu no Festival Internacional de Artes Midiáticas Ars Electronica em 2009 um prêmio por uma colaboração com Cesar Harada chamada ‘Open Sailing’ e agora em 2011 mais um outro, no Festival Japonês de Arte e Mídia, onde teve a peça ‘Crowbot Jenny’ recomendada por aclamação pelo júri.

Mais recentemente, a Lady Nipo-Gaga e autora de frases como “será que nós podemos hackear e brincar com este mundo?” surpreendeu com um projeto chamado ‘Menstruation Machine’ (é isso mesmo que você entendeu) e, além de um vídeo no estilo preferido do Cardoso, a japinha construiu literalmente uma máquina de fazer e sentir menstruar. #daft

A traquitana é composta por um dispositivo que libera pequenos fluxos de sangue falso, após disparar electrodos que estimulam cólicas menstruais ‘honestas’ (diz ela) na região abominal, tal qual aquelas que sofrem as nossas pobres costelinhas.

No vídeo, ela aparece como um garoto — que mais parece uma daquelas lolitas vivas do bairro de Harajuko — que quer se vestir de menina tanto física quanto biologicamente, ornando-se então com o tal cinturão tecno-dolorido de Francisco. E se você acha que o argumento artístico e a liberdade poética limita-se apenas à viagem ácida [porém consistente] da artista, fica que vai ter bolo.

Sputniko! mostra um homem a provocar voluntariamente a dor da menstruação em si próprio, propondo que o fardo sanguinolento do desconforto não deve ser exclusivamente da moças. Ouch!

Isso tudo através de uma linguagem repleta de elementos tecnológicos, montagens e colagens artesanais, assim como a sua resposta pessoal para o embate científico a respeito da extinção programada/controlada ou não da malfadada “maldição mensal” das gazelas.

‘Menstruation Machine’ está sendo exibido atualmente na mostra Talk to Me do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e foi indicado ao prêmio ‘Signature Art Prize‘ de Artes Visuais Contemporâneas das nações do Pacífico-Asiático, promovido pelo Museu de Arte de Singapura.

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