Cristian Zuzunaga e o construir das cores…


Publicado em design por carolina carmini, por Obvious

Design, fotografia, vídeo, escultura e tecido: Cristian Zuzunaga assume diversos papéis para criar um mundo de cores e pixels. Sua criatividade e talento o levaram a colaborar com a Tate Modern. Sua obra cria um peculiar diálogo entre as formas geométricas dos pixels e a leveza e o caráter quase lúdico das cores. O designer altera a percepção do observador ao transformar microcosmos em macrocosmos e vice-versa.

 

© Cristian Zuzunaga, “Untitled”, 2010.

O jovem designer Cristian Zuzunaga nasceu em Barcelona em 1978, filho de mãe catalã e pai peruano – uma ascendência multicultural que guia seu olhar e trabalho. Com 17 anos, Zuzunaga passou a viajar o mundo assimilando referências que hoje também reverberam em sua obra. Em 1998, o artista se estabeleceu em Londres. Formou-se como designer gráfico no London College of Communication e fez seu mestrado no Royal College of Art. Há quem o considere um dos artistas mais promissores da atualidade e divide seu tempo entre a cidade inglesa e sua terra natal.

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Transitando entre a arte e o mercado, Cristian divide suas produções entre jovens galerias de arte e seu próprio estúdio, fundado em 2007. O estúdio opera em Londres e Barcelona criando echarpes, almofadas e tapetes com suas estampas de pixels. Além, de sua própria loja, Zuzunaga já “emprestou” suas estampas para produtos do famoso museu de arte Tate Modern, para a empresa espanhola Nanimarquina, para os sofás italianos da Moroso, para os móveis Lignet Roset e para as camas da suíça Hastens. Colaborações que demostram o reconhecimento de Zuzunaga como designer.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Untitled”, 2010.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Skyline 2, Letterpress”, 2006.

Quem vê os trabalhos de Zuzunaga pensa em estar frente ao complexo trabalho de design gráfico. No entanto, suas obras pixelizadas são provenientes de suas próprias fotografias. Através do nosso famoso zoom, o artista aproxima as imagens até se transformarem em pixels. A tecnologia analógica e digital dialogam, criando imagens relacionais entre a obra e nossa própria percepção. Para Zuzunaga, “o pixel é o emblema da noção de que o todo é maior que a soma de suas partes. A imagem só existe por causa de sua pixelização, da mesma forma que uma cidade só o é porque se trata de uma combinação de edifícios e pessoas que compõem esse todo.”.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Skyline 1”, 2006.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Rhythmic Skyline Letterpress”, 2006.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Static Motion”, 2006.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Untitled”, 2008.

O mundo dos pixels sempre atraiu os olhares e pensamentos de Zuzunaga. Ainda quando estudante, ele já os explorava buscando produzir imagens únicas, realizadas apenas com cores. Essa busca pelo micro que representa o cosmos pode vir de seu interesse original pela biologia e de seu fascínio pelos elementos diminutos e as imagens que estes criam. As filosofias oriental e ocidental, a antropologia, a sociologia e até mesmo a alquimia também trazem questões que ajudam a construir seus trabalhos, como a noção de interação com o mundo.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Shangai Chaos”, 2006.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “London Brick 78”, 2011.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “London Brick 78”, 2011.

Além da biologia, a psicanálise e a psicologia são linhas que acompanham os trabalhos do designer espanhol. A cor, por exemplo, é constantemente explorada, principalmente pelo sua capacidade de evocar emoções nas pessoas e alterar ambientes. O artista evoca a ação das cores para desintegrar o mundo preto e branco e padronizado em que vivemos e que muitas vezes não percebemos. Em meio às obras de Zuzunaga, percebemos outra visão de mundo, um lugar com personalidade e mais colorido, que nos convida a interagir com o ambiente e com nós mesmos. No linha do pensamento do psicanalista Carl Gustav Jung, o artista assimilou a ideia de individualidade da alma, ou seja, a integração do nosso inconsciente pessoal com o coletivo.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Gravity Flow”, 2011.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Gravity Flow”, 2011.

Cada objeto criado pelo designer possui uma característica própria, demonstrando a capacidade de Zuzunaga para entender sua obra e percorrer caminhos distintos para estabelecer sua poética. A partir de 2004, ele voltou seu olhar para as grandes cidades: Londres, Barcelona, Nova York e Xangai. A ideia desse projeto mantem-se na poética básica do artista: o micro criador do macro. Aqui, a cultura local era investigada, como refletora da identidade dessas grandes cidades: “Eu vejo a cidade como um organismo vivo que evolui e muda de uma maneira que reflete a nossa própria evolução.”. O que percebemos é a busca de Zuzunaga, que procura recuperar uma identidade do indivíduo como elemento importante para a formação de toda a nossa sociedade. São os pequenos elementos com características dispares que formam o todo, assim como os pixels nas fotografias.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “Coloured Roofs Shangai”, 2006.

cores, Cristian, design, fotografia, pixels, Zuzunaga© Cristian Zuzunaga, “NY Reflections”, 2011.

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