‘Design’ é muito mais que mera estética…


O problema que passamos aqui no Brasil, sobre a desinformação do que realmente é design, tambem é em problema enfrentado em outros países.

A partir do texto (abaixo), volto a comentar sobre este assunto aqui no blog…

Texto do Jornal DN de Portugal

A maioria das empresas em Portugal continua a desconsiderar a importância do design e a ver o sector meramente ligado ao aspeto estético. Frases feitas como “uma casa ou um carro cheios de design” entraram no quotidiano na década de 80 e permanecem até hoje, desvirtuando a importância do ramo na expansão empresarial dentro e além-fronteiras. Não é uma questão de crise económica, mas de falta de perceção, dos empresários e dos governantes.

Desengane-se, 'design' é muito mais que mera estética

Fotografia © Vitor Rios – Global Imagens

“Não é evidente que os empresários em Portugal tenham a real dimensão da importância do design. Há um conjunto de equívocos que se foram alargando, as pessoas foram associando a ideia do design a uma variável estritamente estética”, disse ontem o presidente do Centro Português de Design, Henrique Cayatte, no debate sobre o tema, no auditório do DN – a rematar mais uma iniciativa Made in Portugal.

Não admira que assim seja. No Reino Unido, onde a revolução industrial deu à luz o conceito design, mais de metade dos empresários não estão sensibilizados para o sector e acreditam não precisar de um profissional desta área na sua estrutura. O mesmo, segundo Henrique Cayatte, se passa em Portugal, onde há indústrias que continuam a considerar não integrar designers na sua equipa.

Uma das exceções é a Recer, a empresa portuguesa produtora de cerâmica e azulejos que, na voz do seu responsável pelo departamento de Inovação e Desenvolvimento, Fernando Simões, está atenta à importância do ramo desde 1987. “Estava num showroom numa feira em Maranello, Itália, quando um cliente me perguntou se aquilo era a cerâmica portuguesa. Percebemos que era altura de valorizar detalhes como a beleza cromática da cerâmica portuguesa e lançámos uma coleção”, referiu Fernando Simões, também em representação da Associação Empresarial de Portugal (AEP).

Apesar da importância, o responsável admite que nem sempre o design foi bem entendido. “Atravessámos um período em que era mais um chavão, foi um bocado destituído e mal apoiado. Tudo era design e nada era design, houve um período em que entrou mesmo em descrédito.” De qualquer forma, admite, a única forma de destacar um azulejo branco num certame internacional é conjugá-lo “com a nossa cultura”. “Hoje há sempre um café Delta e um pastel de nata nas feiras. O que podemos inventar mais no branco? Só a circunstância”, remata.

Além da circunstância, casos há em que a própria história se encarrega disso. É pelo menos esse o objetivo da Fundação Ricardo do Espírito Santo e Silva. “Muitas vezes associam-nos só ao século XVIII, mas efetivamente o que temos no nosso museu é um repositório de peças de excelência que as artes decorativas reproduziram ao longo da história, concentrado no séculos XVIII com algumas margens no XVII e no XIX”, revelou Berta Bustoff, diretora da Escola Superior de Artes Decorativas.

“Além disso temos um repositório imaterial, traduzido nos modos de fazer. A fundação tem 18 oficinas com 18 ofícios de metais, por exemplo, que permite ensinar processos de produção. Servem o design de uma maneira histórica, além disso permitem que o nossa oferta de formação seja de base alargada, com questões da história das artes decorativas.” Componente que facilita a inserção dos diplomados no mercado. “A inserção é facilitada pela componente oficinal projetual, mas também pela história de artes decorativas, museologia e património, portanto temos diplomados colocado em sítios muito diferentes, desde gabinetes de design no estrangeiro ou museus em Portugal.”

Uma questão que preocupa o presidente do Centro Português de Design. “Organizámos um congresso sobre o ensino do design em Portugal e concluímos que houve uma explosão de jovens. Estamos muito preocupados, para uma população de 10 milhões de habitantes, há 1700 jovens a saírem todos os anos para o mercado. E não há mercado para isso.” E compara esta massa produtiva a um donut. “Há cada vez mais bolo, mas o buraco é maior.”

Mais otimista em relação à empregabilidade destes profissionais esteve o presidente do IADE (Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing), Carlos Duarte. “O que se passa com o País é um problema de economia, e não apenas do design, depois de há vinte anos Portugal ter decidido deixar de produzir para prestar serviços nomeadamente no Turismo”, respondeu ao moderador António Perez Metelo, quando instado a fazer uma ligação sobre o desemprego e a crise económica.

“Esta questão do desemprego é um bocadinho falaciosa, porque todos estes profissionais acabam por fazer algo, ou criam a própria empresa, ou criam os seus nichos de mercado ou entram em gabinetes de design das empresas”, revela. “Mesmo que não sejam remunerados”, atirou Perez Metelo. “Pode não ser uma coisa estruturada, pode não ser remunerado, mas eu também comecei assim.” O responsável prefere atribuir as culpas à questão do ensino (ver texto secundário) e ao facto de hoje se chamar “licenciado” a jovens que estudaram apenas três anos. “Porque não se traduziu a verdadeira categoria para bacharel? Nem sequer há equivalência ao título de licenciado noutros países que adotaram Bolonha”, criticou.

“Humilhação”, é como lhe chama Henrique Cayatte. Não só por ser a geração “dos 500 euros” como por se recusarem esse salário dizem-lhes “que há centenas de pessoas a quererem aquele lugar”. Mais. Para Cayatte interessa mostrar que há designers das mais diversas áreas que podem “ajudar as empresas a criar trabalho e a ter um impacto cultural brutal”. E, em jeito, de recomendação cita um provérbio chinês: “Se tiveres uma parede à tua frente abre pelo menos uma janela, para veres o que se passa do lado de lá.”

por SÓNIA SIMÕES

 

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